Gerês

Geira romana – I d.c. – Parque Nacional Peneda-Gerês

“Na região do Parque Nacional Peneda-Gerês, tecida de granito e revestida de verde, fundem-se e abraçam-se ousadas serranias e sucessivos vales”. O impermeável granito favorece a existência de muitos ribeiros e inúmeras linhas e quedas de água, que pelas encostas serpenteiam e, por fim, se lançam nos rios Vez, Lima, Homem e Cávado. Coberta de mantos verdes feitos de vinhedos e milheirais, oferece as formas imprevistas e exuberantes da terra. A região do Gerês revela a vontade e querer das gentes que a escolheram para o seu lar.

Azevinho | Lagoa | Lírio | Cascata

Natureza

O Parque Nacional Peneda-Gerês (PNPG), um autêntico museu natural, dá guarida a espécies vegetais únicas no continente, como o Lírio do Gerês e o Feto do Gerês. Nas zonas de altitude, representando vestígios de uma flora pós- glaciar, ocorrem espécies de formações alpinas, como zimbro e a erva-divina, acompanhados do teixo e dos bosques de bétula ou vidoeiro. As encostas sujeitas à influência atlântica cobrem-se de carvalho-negral, carvalho-roble e matas de azevinho.

Mas a variedade climática do PNPG permite ainda a existência de vegetação tipicamente mediterrânica. É então nas encostas e vales mais quentes e abrigados, que surge exuberante sob a forma do sobreiro, do medronheiro e do loureiro-português. Somando-se a este conjunto, existe ainda a flora medicinal e aromática, sob a forma de ervas, arbustos ou pequenas árvores. Salientando-se o arando, a carqueja, a carrasca, a erva-de-S. Roberto, o pilriteiro, o hipericão ou erva-de-S. João, a camomila, a malva e o morangueiro-bravo.

Soajo | Vilarinho das Furnas | Traje Minhoto | Desfolhada

Tradição

Nas encostas das serras fixaram-se populações que ergueram povoados alcantilados e colados ao solo. Repartiram a terra, desenharam socalcos, plantaram vinhas, oliveiras e laranjeiras. Dirigiram as linhas de água e aproveitaram os ribeiros, criaram uma economia agropastoril que resiste à erosão dos tempos modernos. Aos montes extraíram o granito e edificaram casas e aldeias unidas em torno da igreja ou da capela. As gentes que aqui habitam afeiçoaram a natureza às necessidades da existência coletiva. Deram forma a uma paisagem que se reconhece e que, agradecida, devolve a alma e a maneira de ser a quem a habita.

Víbora | Bufo Real | Garrano | Sardão

Fauna – Parque Nacional Peneda-Gerês

Vivendo em estado de liberdade, em regime semiselvagem, o Garrano do Gerês é uma espécie rara no mundo. Este, ainda hoje, percorre parte da Serra do Gerês, coabitando com outros mamíferos. Destes, o corso, o lobo, a raposa, a geneta, a lontra e a toupeira-de-água são os que merecem maior destaque. Por outro lado, algumas aves de rapina são observáveis nas serranias: a águia-real (quase extinta), a águia-de-asa-redonda, a águia-calçada, o milhafre-real e o bufo-real. No solo, grande diversidade de répteis: víbora-negra, cobra-d`agua, cobra bastarda e lagartixa-de-dedos-dentados. Tal como anfíbios: salamandra-lusitânica, tritão-de-ventre-laranja e tritão-palmado.